Enquanto psicóloga clínica e psicóloga hospitalar, meu trabalho se constrói na escuta do que emerge nos atravessamentos do adoecimento, do envelhecimento e do luto. Encontro na esquizoanálise um caminho para pensar a clínica como um espaço de invenção, ampliando as possibilidades de existência diante das rupturas que a vida impõe.
Minha trajetória profissional se desenha entre diferentes espaços e experiências. Em minha primeira experiência de estágio, pude acompanhar grupos de pacientes com Parkinson, questionando junto a eles os estigmas do adoecimento e experimentando novas formas de autonomia e expressão. No hospital, vivi de perto a urgência e a complexidade do sofrimento humano, desenvolvendo um olhar que articula o cuidado não apenas ao paciente, mas a todos que o cercam. A escuta do envelhecimento um o, por sua vez, se tornou um campo de interesse profundo, onde investigo como a clínica pode ser um espaço de criação mesmo diante das perdas.
Minha história profissional também se entrelaça com experiências pessoais que me aproximaram, de maneira incontornável, das questões do adoecimento e da despedida. Essas vivências me ensinaram sobre o tempo do sofrimento, sobre os desafios do cuidado e, sobretudo, sobre a necessidade de construirmos formas menos solitárias de atravessar esses momentos.
A clínica, para mim, é um espaço de abertura ao novo. Não se trata apenas de amenizar a dor, mas de reconhecer nela a possibilidade de transformação. No hospital, no consultório ou em qualquer lugar onde a escuta se faça necessária, acredito na construção de caminhos que, meio à incerteza, permitam que algo da vida continue pulsando.