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As dimensões de um diagnóstico

Por Christine Rutherford

 

Você já parou pra refletir sobre os impactos que o  diagnóstico de uma doença potencialmente grave pode gerar? Já pensou, por exemplo, que esse impacto nunca alcança apenas a pessoa que recebe o diagnóstico?

 

A descoberta de uma doença potencialmente grave ou que ameace a continuidade da vida de alguma forma, seja pelo risco concreto de morte ou ainda pelas consequências que impactam a vida que deixa de acontecer da maneira que a conhecemos e passa a ter restrições, tratamentos, internações, exames…traz consequências e modificações em uma rotina que se altera e de repente a vida não acontece mais da mesma maneira.

 

Não há dúvidas de que o principal impacto acontece com quem recebe o diagnóstico, mas juntamente com essa pessoa, seus familiares, amigos, colegas de trabalho, pacientes (sim! profissionais de saúde também adoecem!)…uma quantidade significativa de pessoas é afetada e muitas vezes de forma silenciosa. “Será que tenho o direito de estar me sentindo afetado por isso se nem estou doente?” Esse questionamento muitas vezes acontece e acaba silenciando emoções que são absolutamente genuínas, porque quando nos importamos com alguém, quando existe alguma forma de afeto envolvido, somos impactados de forma por vezes bastante intensa. Cuidar desse impacto torna-se importante inclusive para que seja possível oferecer apoio para quem mais precisa. 

 

Vamos falar um pouco mais sobre isso nas próximas semanas, com o intuito principal de poder trazer reflexões diante de situações pelas quais podemos ser expostos e muitas vezes nem ao menos reconhecer o quanto somos afetados por elas. Mas além disso, também oferecer alternativas de possibilidades de cuidado diante de diferentes formas do adoecer, diferentes diagnósticos e diferentes contextos. 

 

Se você se sentir tocada de alguma forma, estamos abertas para ouvir suas reflexões e dúvidas. O objetivo central desta série é criar espaços de troca e falar sobre as formas de lidar com essas situações, seja no sentido de instrumentalização (se você é profissional de saúde) ou de possibilidades de cuidado (se você identifica que precisa de apoio).

 

Vamos trazer pouco a pouco alguns cenários fictícios mas que acontecem de forma cotidiana, seja no ambiente privado ou profissional. Afinal, o adoecimento também faz parte da vida, e falar sobre essas questões nos ajuda a melhor compreender e melhor cuidar.

 

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